Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Newton Faulkner, "Teardrop" (Massive Attack)



--

Love, love is a verb
Love is a doing word
Fearless on my breath
Gentle impulsion
Shakes me, makes me lighter
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Nine night of matter
Black flowers blossom
Fearless on my breath
Black flowers blossom
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Water is my eye
Most faithful mirror
Fearless on my breath
Teardrop on the fire of a confession
Fearless on my breath
Most faithful mirror
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Stumbling a little (2x)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Esqueço do Quanto me Ensinaram

Esqueço do Quanto me Ensinaram

Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
...O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.
O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava.

--

Alberto Caeiro, in "Fragmentos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

sábado, 5 de junho de 2010

"Invictus", William Ernest Henley

Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto abaixo,
Agradeço a quaisquer Deuses que existam
Pela minha alma inconquistável.

Na garra cruel das circunstâncias
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas erecta.

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E contudo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, destemido.

Não importa a estreiteza do portão,
Quão cheio de castigos o pergaminho,
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.


--//--


OUT of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

--

William Ernest Henley 1849–1903

domingo, 14 de março de 2010

Manuel António Pina, "Poesia Reunida"




ASSÍRIO & ALVIM

--

OUTRAS COISAS

(…)
De súbito faltas-me debaixo dos pés
E noutros lugares De ti é possível dizer
Que te ausentaste para parte incerta
Deixando tudo no teu lugar.
(…)

--

DESTA MANEIRA FALOU ULISSES

Falo por ti, e por ti me calo.
De modo que fica tudo entre nós.

--

LITERATURA

Literatura incrível esta
Que a si própria se escreve
Descobri o movimento perpétuo
Mas não saí (ó palavras) do mesmo sítio
(…)

Bocage, "Antologia Poética"




Editora Ulisseia

--

DESENGANADO DO AMOR E DA FORTUNA
Fiei-me nos sorrisos da ventura
Em mimos feminis, como fui louco!
Vi raiar o prazer; porém tão pouco
Momentâneo relâmpago não dura:

(…)

Ah! Não me roubou tudo a negra sorte:
Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.

--

A RAZÃO DOMINADA PELA FORMUSURA

Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:

Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.

(…)

--

XLIII
O RETRATO DE DEUS, DESFIGURADO
POR MINISTROS EMBUSTEIROS

(…)
Eis o Deus, que consola a humanidade,
Eis o Deus da razão, O Deus de Elmano;

Um déspota de enorme fortaleza,
Pronto sempre o rigor para a ternura,
Raio sempre na mão para a fraqueza:

(…)

--

EPIGRAMA

IV

Um chapado, um retumbante
Corifeu de medicina
Certa menina adorava,
ER adoeceu-lhe a menina.

Eis para curá-la o chamam,
Pela alta fama que tem;
Geme o doutor, e responde:
«Não vou, que lhe quero bem.»

--

VI

Lavrou o chibante receita
Um doutor com todo o esmero;
Era para certa moça
Que ficou sã como um pêro.

«Tão cedo! É milagre!» (assenta
A mãe, que de gosto chora).
«Minha mãe, não é milagre,
Deitei o remédio fora.»

--

LVI

Epitáfio

Aqui jaz um homem rico
Nesta rica sepultura:
Escapava da moléstia,
Se não morresse da cura.

--

CVI

A morte foi sensual
Quando ainda era menina:
Co pecado original
Teve cópula carnal,
E pariu a medicina.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fernando Pessoa

Apeteces como um fruto.
Tens qualquer coisa de barco.
Ó céus, quando é que eu como
Meus Deus quando é que embarco.
--

Vi este excerto de um poema, atribuído a Fernando Pessoa, nas paredes de um café em Oeiras: o "Páteo dos Poetas".
--
No entanto, é assim:
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

--

Mas querem saber de uma coisa?
Prefiro a "versão" modificada :-D

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Kubb, "Grow"


Who said
broken pieces don't mend
I say
I say to think again

You may
take advice from all your friends
but I say
that I'm living in your head

Chorus
Just let it grow
let it grow inside of you
let it grow
let it flow inside of you
let it grow let it grow let it grow

She said that its easy for men
and i said that we all feel the rain
then she said
move a little closer then
who says that broken pieces don't mend

Chorus

'cause in the garden of reason
you can't change what youre given
but you can go where the river flows

let it grow grow grow grow
let it grow grow grow grow

yeah yeah yeah let it grow

yeah
let it grow

life gives you a hand
you're playing by the rules
you'll never come through it.

life gives you a hand
you're playing by the rules
you'll never come through it.

('cause in the garden of reason
you can't change what youre given
but you can go where the river flows)

domingo, 14 de setembro de 2008

Valter Hugo Mãe, "Três Minutos Antes de a Maré Encher"

Quasi Editores

--

sou um poeta, ignoro
também as coisas todas
p.13


Existe uma arritmia ténue
no coração de quem recusou
o amor de outrém, um coração
ténue que se sobrepõe ao que
já se tem
p.30



Saí em êxtase para a
rua, estava o horizonte
vertical a entornar-me os
olhos para a lua

de que adianta ser pássaro
se não tiro os olhos do chão?
p.36


procuro palavras
que me entendam
p.49

--

Sinopse
“Três minutos antes de a maré encher” é o 5º trabalho de walter hugo mãe, dedicado ao poeta Luís Miguel Nava. Os poemas não são acerca dele nem partilham a sua temática, mas têm uma ambiência semelhante. É um conjunto de pouco mais de cinquenta poemas, em que o poeta se move numa métrica lenta, como que à procura de algo. “Também eu tenho uma / meta / física / chegar ao corpo / de Deus”.
Aqui:


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ando a (re)descobrir a música francesa


“Je Suis Un Homme”
Zazie


Je suis un homme de cro-magnon
Je suis un singe ou un poisson
Sur la Terre en toute saison
Moi je tourne en rond, je tourne en rond.

Je suis un seul pays des millions
Je suis un homme au coeur de lion
A la guerre en toute saison
Moi je tourne en rond, je tourne en rond.

Je suis un homme plein d'ambition
Belle voiture et belle maison
Dans la chambre, dans le salon
Moi je tourne en rond, je tourne en rond.

Je fais l'amour et la révolution
Je fais le tour de la question
J'avance, avance à reculons
Oui je tourne en rond, je tourne en rond.

Tu vois, j'suis pas un homme,
Je suis le roi, de l'illusion
Au fond, qu'on me pardonne
Je suis le roi, le roi des cons.

Je fais le monde à ma façon
Coulé dans l'or et le béton
Corps en cage, jeté en prison
Moi je tourne en rond, je tourne en rond.

Assis devant la télévision
Je suis de l'homme, la négation
Pur produit de consommation
Oui, mon compte est bon
Mon compte est bon.

Tu vois, j'suis pas un homme,
Je suis le roi, de l'illusion
Au fond, qu'on me pardonne
Je suis le roi, le roi des cons.

C'est moi, le maître du feu,
Le maître du jeu, le maître du monde
Et vois ce que j'en ai fait,
Une Terre glacée, une Terre brûlée,
La Terre des hommes que les hommes abandonnent.

Je suis un homme au pied du mur
Comme une erreur de la nature
Sur la Terre sans d'autre raison
Moi je tourne en rond, je tourne en rond.

Je suis un homme et je mesure
Toute l'horreur de ma nature
Pour ma peine, ma punition,
Moi je tourne en rond, je tourne en rond...


quarta-feira, 21 de maio de 2008

Shan Sa, "A jogadora de Go"





Agir é morrer; morrer é agir.
p.42

--

Não é possível reconciliar pátria e família. Um soldado é aquel que assassina a felicidade dos seus.
p.56

--

Todo o homem deve morrer. Escolher o nada é a única forma de triunfar.
p.81

--

A felicidade é um combate de cerco, um jogo de Go. Cercarei a dor para a destruir.
p.123

--

A compaixão está com as almas fortes.
p.153

--

Entre a morte e a cobardia, escolhe a morte sem hesitar.
p.153

--

Um homem repleto de humanidade nunca aceitará presevar a sua vida às cuastas dessa humanidade.
- Confúcio
p.164

--

Quando perdemos um cavalo, nunca sabemos se é um mal ou um bem.
- Zhaung Zi
p.212

--

A Lua já não é
A Lua de outrora!
A primavera já não é
A primavera de outrora!
Só eu sou ainda
Quem noutros tempos era!

- Poema extraído Isé Monogatari, históia da provincia de Isé, Japão, século X, traduzido para o francês por René Sieffert.
p.214

--

Neste mundo,
Andamos sobre o tecto do inferno
E olhamos as flores.

- Poema de Issa, poeta japonês do século XVII.
p.225

--

A vida é um castelo de mentira demolido pelo tempo.
p.229

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Mandamentos da Sobrevivência"


Vânia Maria Dias
Câmara Municipal de Oeiras


--


Mandamentos da Sobrevivência
Amar a ti própria, a tua família
Escolher cuidadosamente o que tu queres
Não que os outros falam

Não esperar nada de ninguém
Ouvir como prioridade
Em vez de falar

Nunca aceitar tudo o que dizem
como verdade
Pois a metade não é um todo

Sempre guardar um trunfo na manga
Como se tivesse um diamante
Cujo valor supremo é você;

Racionalizar sempre que possível
depois sentir
Sentir e ter a convicção no seu coração

Sentir e ter a convicção
De que tudo que queres
Já é teu.

--


Investimento

Medo de sentir
Fantasiar
Muito mais que aquilo que temos
Na realidade

É a intensidade das palavras
A conjugação das ideias
Que faz a Saudade apertar
Ao ponto de doer a independência

É a paixão que deseja esconder-se
Atrás de um arbusto
Sem dimensão
Invisível

Investimento onde o tempo bate asas
Pelo céu vazio
A procura de certezas
Para autorizar a transacção
Não monetária, mas rentável

Investimento
Onde o tempo
Mesmo carregando um saco cheio de Sentimentos
intensos
Não pára de procurar mais certezas
Porque todas parecem poucas
Para confirmar o que era impossível negar...
O Amor.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Jorge de Sena


Sinais de Fogo, antologia poética
Jorge de Sena
Edições Asa


Não acredito na imortalidade de coisa alguma.
p.20

--


ANDANTE

(…)

IV


Não é de um medo enorme que ressurge a vida?

As crianças nascem com uma coragem que perdem.
As mães provocam-nas em si com uma coragem de carne.
E os homens levam-nas consigo sem as conhecer.


18/1/42


p.36

--


PARA O ANIVERSÁRIO DO POETA


Não passam, Poeta, os anos sobre ti,
Embora sejas mais mortal que os mais:

No tempo, viverás longe daqui,
No espaço, apenas deixarás sinais.

E quando, pelos campos silenciosos,
Lá te encontrar’s nas ondas dos trigais,
Repara como fogem receosos,
Para o poente, os ventos luminosos –
- antes que os homens nasçam teus iguais.

7/3/44

p. 64

--

EPÍGRAFE PARA A ARTE DE FURTAR

Roubam-me Deus,
Outros o Diabo
- quem cantarei?

Roubam-me a Pátria;
E a Humanidade
Outros ma roubam
- quem cantarei?

Sempre há quem roube
Quem eu deseje;
E de mim mesmo
Todos me roubam
- quem cantarei?

Roubam-me a voz
Quando me calo,
Ou o silêncio
Mesmo se falo
(…)

3/6/1952

p. 75

--

O POEMA

(…)

Era de longe tudo o que eu pensava.
Por que o direi, se não desejo nada
Que nada seja em dimensões de amor?
Se apenas sei como em palavras morre
O que em palavras nunca mais direi?

24/12/1951

p. 77

--

NOUTROS LUGARES

Não é que ser possível ser feliz acabe,
Quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
(…)

Madison, 21/1/1967

p.167


quarta-feira, 26 de março de 2008

domingo, 27 de janeiro de 2008

O nome das coisas

"O nome das coisas"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Editora Salamandra

--

Guerra ou Lisboa 72

Partiu vivo jovem e forte
Voltou bem grave e calado
Com morte no passaporte

Sua morte nos jornais
Surgiu em letra pequena
É preciso que o país
Tenha a consciência serena

-

p. 14

--

Museu

Aqui - como convém aos mortais -
Tudo é divino
E a pintura embriaga mais
Que o próprio vinho

-

p. 52

--

Por delicadeza

(...)

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:

«Juventude ociosa
Por tudo iludida
Popr delicadeza
Perdi a minha vida»

-

p. 69